INFORMAÇÃO SUMÁRIA

Padroeira: Santa Marinha.
Habitantes: 4.819 pessoas (I.N.E.2011).
Eleitores Inscritos: 3.898 em 05-06-2011.
Sectores laborais: Agricultura, pecuária, pesca, Comércio, Hotelaria, Serviços e Indústria.
Feira: Semanais, às quintas-feiras.
Tradições festivas: Senhor dos Aflitos (1 de Janeiro), S. Sebastião (2º domingo de Agosto), Senhora da Bonança (2º domingo de Setembro), S. Brás (1º domingo de Fevereiro) e jogos tradicionais.
Valores Patrimoniais e aspectos turísticos:  Igreja Paroquial, Forte do Lagarteiro, capelas da Sra. Das Necessidades (Sra. Bonança), de S. Brás, de S. Sebastião e do Divino Salvador, Gruta de N. S. de Lourdes, Ponte de Abadim, vários cruzeiros, alminhas e ninhos, Praia das crianças, ruínas da igreja de Bulhente, rio Âncora, Dólmen da Barrosa e alto do monte do Calvário.
Artesanato: Barcos de pesca e miniaturas em madeira e gesso.
Gastronomia: Parrilhada de peixe e de marisco, cabrito à serra de Arga, arroz de marisco a moda do portinho, caldeirada à Tio Feito, torta de marisco, bacalhau à S. Lourenço da Montaria, sardinhas recheadas, bacalhau dourado, peru estufado e recheado à Meira, bolinhos de coco e doces de romaria.
Colectividades:  Âncora Praia Futebol Clube, Bombeiros Volunt. de Vila Praia de Âncora, Nuceartes, Centro Social e Cultural, Club de Surf da Praia de Âncora, ACIVAC (Assoc. Comercial e Industrial dos Vales do Âncora e Coura), Clube Ancorense de Caça e Pesca, Grupo Etnográfico de Vila Praia de Âncora, Lions Clube, Orfeão de Vila Praia de Âncora, Columbófila Ancorenses e Sociedade de Instrução e Desporto Ancorense.

ASPECTOS GEOGRÁFICOS

Vila Praia de Âncora, faz parte do concelho de Caminha e pertence ao Vale do Âncora, tendo aí os seus limites estabelecidos na seguinte ordem: a Norte, a Freguesia de Moledo; a Nascente, a Freguesia de Vile; a Sul, o rio Âncora e a Freguesia de Âncora e a Poente o Oceano Atlântico.

Esta freguesia tem um clima de uma amenidade surpreendente, está aconchegada das ventanias, encrostada em colinas sobranceiras de encantadoras paisagens.

Cerca de nove quilómetros a separam da vila de Caminha. Valença está a aproximadamente trinta km, e Viana do Castelo, está sensivelmente a treze mil metros.
Em 1991, ainda 15,2% dos residentes activos se ocupavam da agricultura, contra 31,2% que se empregavam na indústria e já 53,6% no terciário. A tendência para uma evolução rápida e positiva do terciário, assenta fundamentalmente no ramo do turismo e no equilibrado aproveitamento do mar, do rio e do campo ainda rural que rodeia a vila. Esta zona rural, onde, segundo a opinião dos responsáveis da Junta de Freguesia, ainda trabalham 4% dos activos (a maioria como complemento e não como actividade principal), espraia-se desde o Monte do Calvário (local de belíssimas paisagens), pelo lugar da Rocha com todo o seu tipicismo rural e artesanal, até ao lugar do Chão da Lameira com hortas e vinhedos e a Vile, Varais e Bulhente, já nas encostas da Serra de Arga.

Vila Praia de Âncora é uma vila com todas as infra-estruturas e à excepção das Repartições públicas (Finanças, Cartórios e Tribunal) que estão em Caminha (a 9 km), consegue ter uma relativa autonomia em todos os aspectos, a começar pelo comércio local que é diversificado, de qualidade e plenamente satisfatório.

A rede de distribuição domiciliária de água é completa e a rede de saneamento básico apresenta uma cobertura em cerca de 75% e até a lixeira que existia na freguesia já foi encerrada, facto que veio melhorar muito as condições ambientais.

No sector da educação temos o ensino pré-primário, básico e secundário. O pré-primário é assegurado por dois estabelecimentos de ensino: um público e um privado. O 1.º e o 2.º ciclos básicos funcionam na escola básica integrada. O 3.º ciclo básico é assegurado pela Ancorensis Cooperativa de Ensino e o ensino secundário está garantido, também, pela citada Ancorensis. Este estabelecimento de ensino prima pela qualidade e diversidade de opções que oferece à população escolar desde o 7.º ao 12.º anos de escolaridade.

Ao nível da saúde, a proximidade com o Hospital Distrital de Viana (Santa Luzia) coloca a freguesia numa situação aceitável comparativamente com outras situações. Em Vila Praia de Âncora existem já instalações locais modernas de análises e diagnósticos. Como se verifica, portanto, os cuidados médicos são bons e estão bem representados.

Quanto a apoios sociais, Vila Praia de Âncora dispõe de apoio à infância, à terceira idade e ao emprego.

No campo desportivo, além do campo de jogos, dum pavilhão desportivo e dum campo de ténis, há projecto para a construção dum complexo de piscinas. O associativismo é notável, destacando-se entre outros a dinâmica do Âncora Praia Futebol Clube, Clube Ancorense de Caça e Pesca, Sociedade Columbófila, Lions Club, Sociedade de Instrução e Recreio Ancorense, Grupo Etnográfico, Orfeão, Bombeiros Voluntários e “Nucleartes”. A cultura tem também o seu lugar próprio e multifacetado com actividades em quase todas as áreas próprias duma pequena cidade progressiva e moderna como é Vila Praia de Âncora.

A capacidade hoteleira é boa e um dos pilares do desenvolvimento turístico. Diga-se que neste aspecto, também não falta animação e capacidade para atrair turistas: Desde as praias fluviais e atlânticas, neste caso com destaque para a dita Praia das Crianças (um areal de águas tranquilas em que o rio e o mar se acalmam mutuamente para benefício da pequenada), até as maravilhosas margens do rio Âncora, à gastronomia regional, ao magnífico panorama visto do Monte do Calvário, até ao património edificado, em que sobressai a Matriz, o Forte da Lagarteira, as Capelas de Nossa Senhora da Bonança, de S. Brás, do Divino Salvador, de S. Sebastião, etc.

RESENHA HISTÓRICA

A freguesia de Vila Praia de Âncora já aparece mencionada na documentação do séc. X, então com a denominação de Gontinhães. Era uma paróquia com igreja e que estava organizada muito provavelmente segundo a fórmula ancestral de Villa rústica, à qual pertencia o sítio chamado da Lagarteira.

Esta paróquia de Santa Marinha de Gontinhães atravessou mais de 1000 anos de história local e de tal forma a denominação se enraizou, que ainda é usual na região, tal como ainda há quem chame de Gontinhães a Vila Praia de Âncora, até porque, na verdade só em 1924, a secular Gontinhães se transmutou em Vila Praia de Âncora.

Toda a região é rica em vestígios arqueológicos, quer do Neolítico, quer da cultura Castreja (Idade do Ferro), mas o vale do Âncora tem atraído a especial atenção dos arqueólogos. O rio nasce na Serra de Arga e após 15 km chega ao mar num sítio a 7 km, a sul da foz do rio Minho. No sítio chamado Lapa dos Mouros, pode ver-se aquele que é provavelmente o Dólmen mais notável da pré-história em Portugal (o Dólmen da Barrosa).

Nos finais do século passado, Martins Sarmento deu a conhecer uma povoação castreja, hoje conhecida por Cividade de Âncora. Trata-se dum monte, excepcionalmente bem situado para cumprir missões defensivas entre o mar e uma ampla área circundante, habitada pelo menos até ao séc. I d.C.

Os romanos terão aqui instalado um entreposto mineiro para recolha dos metais que exploravam nas minas de Ribô, Orbacém e Gondar. Talvez por ter existido aí um entreposto com cais de embarque, se tenha gerado a ideia de que os romanos teriam baptizado o sítio com o nome de âncora, por aqui desembarcarem as suas tropas e aqui embarcarem o minério. Essa é a ideia de Argote. No séc. XIII generalizou-se a lenda de que teria sido na foz deste rio que o rei Ramiro (o da lenda de Gaia), afogou a sua adúltera e saudosa esposa com uma mó atada ao pescoço como se fora uma âncora… Ao que tudo indica no entanto, o nome é anterior e tem origem no nome que o próprio rio já teria. Quando a paróquia foi formada, ainda o sítio onde hoje está Vila Praia de Âncora seria completamente desabitado, principalmente por ser um sítio aberto e exposto aos constantes ataques dos piratas normandos. O mesmo Argote diz que aqui terá existido um fortim para vigilância e aviso. Por isso a paróquia inicial se fundou na “Villa” de Guntilares (dum tal Guntila) mais no interior e mais resguardada. Esta “Villa” teria resultado duma acção de presúria efectuada pelo Conde Paio Vermudes, aquando do repovoamento desta faixa do litoral até ao Lima (séc. IX) ou por um seu vassalo que se chamaria Guntila. O mesmo que terá povoado Bulhente. O topónimo já está documentado nos finais do séc. IX, altura em que parte das terras da Vila foram doadas ao Mosteiro de São Salvador da Torre. Data de então a primeira igreja consagrada como era usual, a Santa Marinha. Os tempos posteriores foram bem difíceis e desastrosos devido às razias muçulmanas e a foz do Âncora deve ter-se tornado um dos sítios mais perigosos de toda a costa norte. Era um ancoradouro que dava para um vale rico e fértil, por isso muito cobiçado e também frequentemente assaltado. Daí que uma outra Villa, a de Saboriz, provavelmente fundada no sítio actual de Vila Praia de Âncora, tenha tido uma vida precária, embora a documentação a relacione com uma Venda Velha ou com uma Pousada necessária para esta zona de muita passagem (séc. X) entre Braga e Tui.

Igreja Paroquial, Forte do Lagarteiro, capelas da Sra. Das Necessidades (Sra. Bonança), de S. Brás, de S. Sebastião e do Divino Salvador, Gruta de N. S. de Lourdes, Ponte de Abadim, vários cruzeiros, alminhas e ninhos são patrimónios existentes da freguesia de Vila Praia de Âncora.

A área urbana estende-se para as zonas de Sandia e da Vista Alegre e para a zona industrial da Póvoa e também para os lados da antiga Sobreira onde se localizam as escolas, o centro de saúde e a maioria dos serviços públicos.

Ainda a respeito da história desta freguesia, no livro “Inventário Colectivo dos Arquivos Paroquiais vol. II Norte Arquivos Nacionais/Torre do Tombo” diz textualmente:

«Esta freguesia aparece mencionada em documentos do século X, sob a designação de Gontinhães.

Na lista das igrejas de Entre Lima e Minho pertencentes ao bispado de Tui, elaborada por ocasião das Inquirições de D. Afonso III, em 1258, é citada a igreja de “Guntianes”. As Inquirições referem também São Salvador de Bulhente, que hoje é apenas um lugar de Vila Praia de Âncora. Nessa época, porém, possuía igreja própria, sendo o seu abade apresentado pelos moradores.

D. Rodrigo de Moura Teles, em 17717, transferiu os bens da capela de Bulhente para o sítio do Calvário, por esta ter deixado de ter cura e fregueses.

Na taxação a que se procedeu no reinado de D. Dinis, em 1320, Gontinhães figura enquadrada no arcediagado da Vinha, com a taxa de 40 libras.

No Censual do Cabido de Tui para o sobredito arcediagado da Terra da Vinha, elaborado em 1321, Gontinhães pagava um quarteiro de trigo, uma libra de cera e procuração.Entre 1514 e 1532, no Censual de D. Diogo de Sousa, Gontinhães rendia para a diocese de Braga 23 mil réis. A partir desta data, todas as freguesias de Entre Lima e Minho, da comarca eclesiástica de Valença, passaram a fazer parte da diocese de Braga.Na avaliação dos mesmos benefícios eclesiásticos (1545-1549), esta freguesia rendia 45 mil réis.

Américo Costa descreve-a como abadia da apresentação do Ordinário, como alternativa do rei, tendo anteriormente pertencido à Casa de Vila Real.

Só em 1924, por força da Lei 1616, de 5 de Julho, passou a denominar-se Vila Praia de Âncora.»

( Fontes consultadas: Caminha e seu Concelho, Inventário Colectivo dos Arquivos Paroquiais vol. II Norte Arquivos Nacionais/Torre do Tombo e Freguesias Autarcas do Século XXI ).

258 911 546
juntavpancora@mail.telepac.pt
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